Sumário Biográfico
Nasci
em Lucélia, SP, no dia 7 de Setembro de 1943. Acabei de celebrar (2010) 67 anos
de vida.
Meu pai, Oscar
Chaves, ministro (pastor) Presbiteriano (Igreja Presbiteriana do
Brasil), era pessoa conservadora e tradicional. Seu
principal legado, no que me diz respeito, foi uma personalidade argumentativa,
quase briguenta, e uma preocupação constante com a justificação de minhas
convicções, meus valores, minhas atitudes e minhas ações.
Fiz o Primário
e o Ginásio (que, juntos, compõem o que é hoje a Educação Fundamental) em Santo
André, SP, respectivamente no Grupo Escolar "Prof. José Augusto de Azevedo
Antunes", na Rua Senador Flaquer, e no Instituto de Educação "Dr.
Américo Brasiliense" (na época chamado de "Colégio Estadual e Escola
Normal "Dr. Américo Brasiliense"), na Praça do Quarto Centenário.
Depois de um
ano desperdiçado no Colegial Científico do Instituto de Educação “Dr. Américo
Brasiliense” (desisti na metade do ano), fui fazer o Colegial Clássico no Instituto "José
Manuel da Conceição" (JMC), em Jandira,
SP, uma escola-internato pertencente à Igreja Presbiteriana do Brasil, que foi
fechada pela igreja em 1970 em circunstâncias não bem esclarecidas até
hoje. (Havia, na época, o Colégial Clássico, o Colegial Científico e o
Curso Normal. Eram equivalentes ao Ensino Médio de hoje).
Naquela época
a maior parte dos alunos do sexo masculino que estudavam no Instituto JMC tinha
a intenção de seguir para o Seminário Teológico e se dedicar ao ministério
evangélico. Eu não era exceção. Influenciado, em parte, pela história de meu
pai (que também havia estudado no Instituto JMC, na década de 30, de 1934 a
1938), matriculei-me, em 1964, no Seminário Presbiteriano
do Sul (SPS), também conhecido como Faculdade de Teologia da
Igreja Presbiteriana do Brasil, em Campinas, SP (onde meu pai também já havia
estudado, de 1939 a 1941). Minha festa de calouro estava agendada para o
fatídico 1º de Abril de 1964. É desnecessário acrescentar que foi abortada...
Com uma ou
duas exceções, o corpo docente do Seminário era muito conservador, tanto
teológica quanto politicamente, e entre os alunos havia alguns (admitidamente,
uma minoria) que chegavam a ser extremamente reacionários (novamente, tanto no
plano teológico quanto no político). Sendo essa a situação, tive o que
hoje, em retrospectiva, considero a sorte de ser expulso do Seminário em 1966,
quando estava no meu terceiro ano, em virtude de basicamente duas razões:
(a) por defender
teorias não muito ortodoxas acerca da religião e na teologia cristã
(especialmente as de Rudolf Bultmann); e
(b) por publicar,
no jornal do Centro Acadêmico, do qual eu era editor, e que tinha o provocante
nome de "O CAOS em Revista" (visto que o nome do Centro Acadêmico era
"Oito de Setembro", data da fundação do Seminário), uma crítica
violenta aos professores do Seminário e, depois, uma defesa apaixonada, baseada
no livro On Liberty,
de John Stuart Mill, do direito à liberdade de pensamento e de expressão.
Vide, a
propósito da segunda razão, "Editorial"
(Março 1966), "Instituto Bíblico
em Campinas" (Março 1966), "Editorial: Ainda
Jonas" (Abril 1966), "Editorial"
(Maio 1966), "Parafraseando"
(Maio 1966), "Editorial"
(Junho 1966), e "Editorial"
(Agosto 1966). As cinco primeiras peças chegaram a ser publicadas mas as
edições foram imediatamente confiscadas pela Reitoria; no caso das outras duas,
a Congregação do Seminário havia instituído a censura prévia e as peças foram
cortadas antes de serem publicadas. Na verdade, o jornal inteiro de Junho de
1966 foi censurado. Minha carreira de jornalista foi, portanto, abruptamente
interrompida sem que sequer uma das peças que escrevi tivesse sido normalmente
distribuída.
Todo esse
episódio está descrito em mais detalhe no texto "Quarenta Anos depois do CAOS:
1966-2006".
Minha ousadia
quase me custou o fim temporário, se não de minha liberdade, pelo menos de meus
estudos. O ano de 1966 me parecia, na época, ser o auge da ditadura militar
brasileira e do autoritarismo eclesiástico e retrocesso teológico da Igreja
Presbiteriana do Brasil, mas eu estava, naturalmente, e duplamente, errado:
tanto no país quanto na igreja a situação se tornou ainda muito pior antes do
final da década, mas nesse momento eu já estava fora, tanto da igreja como do
país.
Depois de ter
sido expulso do Seminário Presbiteriano de Campinas fui acolhido pela Faculdade de Teologia da Igreja Evangélica de
Confissão Luterana no Brasil (Evangelische
Kirche Lutherischen Bekenntnisses in Brasilien), em São Leopoldo, RS. Lá, em
1967, eu completei quatro anos de estudos pós-secundários (embora não tenha
concluído o curso teológico). Em São Leopoldo, Rudolf Bultmann (que era
Luterano) era bem aceito. O tempo que passei lá ajudou bastante no
desenvolvimento do meu domínio da língua alemã (que eu estudava desde o
primeiro ano no Seminário de Campinas), porque todas as aulas eram ainda em
alemão, naquela época.
O ambiente
intelectual fornecido pelo Seminário Luterano era bastante estimulador. A
despeito disso, ou, mais provavelmente, por causa disso, meus laços pessoais
com a igreja começaram a enfraquecer bastante, mais ou menos durante o período
em que eu estive em São Leopoldo. Meu interesse pela religião como fenômeno
social e pela teologia como disciplina intelectual continuam, entretanto, até
hoje. (Nisso eu, em certo sentido e até certo ponto, modestamente espelhei o
que se passou com David Hume, sobre quem eventualmente vim a escrever minha tese
de doutoramento: ele deixou a igreja (também Presbiteriana, na Escócia) sem
traumas, tanto por razões eclesiásticas como teológicas, depois de uma série de
perseguições, mas sempre manteve um interesse pela religião como fenômeno
social e pela teologia como disciplina intelectual).
Apesar dos
meus laços com a igreja haverem enfraquecido, enquanto em São Leopoldo tive a
sorte de receber uma bolsa completa, de três anos, para fazer o Mestrado em
Teologia no Pittsburgh Theological Seminary
(PTS), de Pittsburgh, PA, EUA. Para poder usufruir a bolsa solicitei uma bolsa
de viagem ao National Council of the Churches of Christ in the United States
(NCCCUS), e tive a felicidade de vê-la concedida. A bolsa no PTS foi obtida
através dos esforços do Prof. Dr. Rev. Gordon Eugene Jackson, então Deão
Acadêmico daquela escola, e desde então um querido amigo e uma fonte constante
de inspiração. Espero que ainda esteja vivo e bem, pois perdi contato com ele
há algum tempo. A bolsa de viagem do NCCCUS foi obtida através dos esforços do
Rev. Dr. Aaron Sapsezian, então Secretário Executivo da Associação dos
Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), e hoje um outro amigo muito caro
(vivendo em Genebra, Suíça, a terra adotada por João Calvino). O Aaron não só
me sugeriu que solicitasse a bolsa ao NCCCUS, mas envidou os maiores esforços
para que ela fosse concedida. Expresso publicamente aqui minha gratidão a esses
dois grandes amigos. (Tivemos, a Paloma [vide adiante] e eu, o privilégio de
participar recentemente, aqui em São Paulo, da celebração das Bodas de Ouro do
Aharon e da Zabel, sua mulher. Foi uma experiência emocionante, que vivemos ao
lado do Rubem Alves e da Thaís, sua mulher, também amigos do Aharon e da Zabel
-- o Rubem há um pouco mais de tempo do que eu).
Enquanto no
PTS, de meados de 1967 até meados de 1970, obtive meu Mestrado em Teologia, na
área da História do Pensamento Cristão (conclusão: Maio de 1970). Lá tive o
privilégio de estudar com estrelas intelectuais como Dietrich Ritschl (neto do
grande teólogo liberal alemão do século XIX, Albrecht Ritschl, e ele próprio um
grande especialista na história do pensamento europeu moderno), que me fez
interessado para sempre na história intelectual; Ford Lewis Battles
(especialista em pensamento medieval, na Renascença e na Reforma, especialmente
em Calvino, sendo o autor da melhor tradução para o Inglês das Institutas da
Religião Cristã), que quase me convenceu a tornar-me um historiador medieval; Markus
Barth (filho do grande teólogo suíço do século XX, Karl Barth), cujas aulas
eram tão precisas que a gente o tomaria por alemão, e tão claras, que a gente o
tomaria por francês; Hans Eberhard von Waldow (que havia ensinado em São
Leopoldo antes de ir para Pittsburgh), que, por incrível que pareça, conseguia
fazer a História do Antigo Israel parecer viva e interessante; George H. Kehm
(professor de teologia sistemática), que me fez seu assistente didático e de
pesquisa quando entrei no doutorado; e vários outros (Ronald Stone, Walter
Wiest, John Gerstner, Robert Paul, John Bald, Douglas Hare). Minha média
durante o mestrado foi suficientemente boa para que eu recebesse sete prêmios e
bolsas ao final dos meus três anos no PTS, uma das quais era para cursar o
doutorado em área de minha escolha.
Assim, em
Setembro de 1970 entrei na University of Pittsburgh (Pitt),
também em Pittsburgh, PA, EUA, para começar o meu Ph.D.. O foco principal de
meus estudos foi a História da Filosofia Moderna, especialmente no século
XVIII, pois eu estava interessado em epistemologia e Pitt era a melhor
universidade americana na área de epistemologia, lógica e filosofia da ciência
naquela época. Eu, naturalmente, ainda mantinha (como mantenho até hoje) meu
interesse na epistemologia da religião. Esses dois interesses, na epistemologia
da ciência e da religião, fizeram-me gravitar para William W. Bartley, III,
professor titular do Departamento de Filosofia, cuja obra publicada lidava com
esses dois assuntos (em especial, The Retreat to Commitment, publicado
em 1962).
Depois de
estudar teologia por algum tempo em Harvard, Bill Bartley foi para a London
School of Economics (LSE), em Londres, Inglaterra, para estudar com Karl Raymund Popper.
Ele eventualmente se tornou o discípulo amado de Popper. Assim sendo, fui
virtualmente constrangido a ler tudo que Popper tinha publicado, e mesmo alguns
trabalhos então ainda inéditos (mas aos quais Bill Bartley tinha acesso e dos
quais, depois, se tornou o editor, na versão impressa). Depois de um sério
desentendimento, Popper e Bartley voltaram a manter relações de amizade e
colaboração bastante estreitas, tendo Bill Bartley sido ungido para a invejada
tarefa de gerenciar todo o legado intelectual de Popper (e, depois, também de
Friedrich von Hayek). À vista disso creio que posso, por direito, considerar-me
neto intelectual de Popper -- com quem tive o privilégio de trocar algumas
cartas em meados da década de 70. A morte prematura de Bill
Bartley em 1990 (5 de Fevereiro) roubou-me um mentor e grande
amigo e foi motivo de grande tristeza. A morte de Popper em 1994 também foi
grandemente sentida - embora não tenha sido prematura (ele nasceu em 1902). (A
relação entre Popper e Bartley é bem e corretamente descrita em um artigo
interessante de Mariano Artigas “The Ethical Roots of
Popper's Epistemology”).
Sob a
orientação firme de Bill Bartley concluí meu doutorado em tempo recorde, em
Agosto de 1972, com uma tese de 615 páginas sobre David Hume.
Por mim eu teria continuado polindo o que eu esperava fosse tornar minha obra
prima, mas Bill não me deixou, virtualmente me obrigando a entregar a tese na
forma em que se encontrava. Foi aprovada sem ressalvas.
Em Pitt também
tive o privilégio de estudar com Wilfrid Sellars,
que foi o membro sênior de minha Banca de Doutoramento. Na home page dedicada a
ele na University of Chicago, Keith Lehrer (filósofo bem conhecido) diz que
"Sellars [foi] um dos mais importantes filósofos do século, talvez de
todos os séculos". Ele era também um professor fabuloso. Meu primeiro
curso com ele foi um Seminário sobre Metafísica e Epistemologia. Depois fiz seu
famoso seminário sobre Kant. Os cursos eram tão bons que eu comecei a
frequentar tudo que era curso que ele dava: até mesmo, como ouvinte, alguns
cursos introdutórios em nível de graduação (sobre Empirismo Britânico e sobre
Filosofia Analítica, por exemplo). A maior parte do que eu sei sobre Filosofia
Analítica aprendi com ele. Outros bons professores que tive em Pitt foram
Nicholas Rescher (Lógica e Epistemologia), Richard Gale (Metafísica, Filosofia
do Tempo, Filosofia Analítica), Kurt Baier (Ética), Joseph Kemp (Empiristas
Britânicos), e Marilyn Frye (Kant). Olhando para trás posso ver porque o
Departamento de Filosofia de Pitt era considerado o melhor do país naqueles
anos.
Depois de
receber meu Ph.D. fui contratado para lecionar filosofia, primeiro pela California State
University at Hayward, em Hayward, CA, EUA
(1972-1973), e, no ano seguinte, pelo Pomona College, um dos
"colleges" do complexo chamado Claremont Colleges,
em Claremont, CA, EUA (1973-1974). Felizmente, naquela época as normas do
politicamente correto ainda não imperavam no cenário acadêmico americano.
(Peter Drucker foi professor, por muitos anos, da Claremont Graduate School,
que era a divisão de Pós-Graduação dos Claremont Colloges).
Enquanto
trabalhava em Pomona tive uma das experiências intelectuais mais excitantes de
minha vida: ler Ayn Rand pela
primeira vez. A experiência fez de mim uma pessoa diferente. Sou para sempre
grato ao meu colega de Pomona, Charles J. King, que veio a ser presidente do Liberty Fund,
por recomendar que eu lesse Atlas Shrugged (Quem é John Galt?,
em português). Desde aquele momento, em 1973, Ayn Rand se tornou minha
principal mentora intelectual, ética e política, embora meu relacionamento com
ela nunca tenha tido o fervor quase-religioso daqueles para quem Objetivismo,
mais do que uma filosofia, é um culto - quando encontrei Ayn Rand eu já tinha
tido minha experiência religiosa há muito tempo. Mas Ayn Rand permanece até
hoje como a influência mais forte e mais permanente sobre o meu pensamento
metafísico, epistemológico, ético, político e até mesmo estético – vale dizer,
do meu pensamento filosófico.
No todo passei
sete anos nos Estados Unidos (Agosto de 1967 a Junho de 1974), sem voltar ao
Brasil sequer uma vez. O clima político no Brasil durante esses anos foi tão
inóspito que eu dificilmente teria me arrependido de ter passado todo esse
tempo fora, ainda que esses anos não houvessem sido os mais frutíferos de minha
vida, do ponto de vista intelectual.
Em Junho de
1974, com a intermediação de meu primo Anello Sanvido Filho (hoje vivendo em
Calgary, Canadá), e do Rubem Alves (que ainda mora em Campinas), retornei para
o Brasil para lecionar na Universidade Estadual de Campinas
(UNICAMP), em Campinas, SP, onde fiquei, até o fim de 2006, dando aula de
Epistemologia, Filosofia Política e Filosofia da Educação (e, de vez em quando,
de Tecnologia e Educação). Por uns tempos, na década de oitenta, envolvi-me com
administração universitária e até mesmo com política acadêmica. Fui Diretor da
Faculdade de Educação por oito anos (quatro dos quais como Diretor Associado),
Presidente da Comissão de Orçamento por dois mandatos, Pró-Reitor para Assuntos
Administrativos por dois anos, etc.
Enquanto na
UNICAMP, e quando ocupava o cargo de Diretor da Faculdade de Educação (de 1980
a 1984), fiquei interessado no uso de computadores na educação (mais na
aprendizagem do que no ensino, para dizer a verdade). Isto me levou, por volta
de 1981, para um caminho intelectual paralelo que, eventualmente, acabou se
tornando um grande interesse profissional: o uso das tecnologias de informação
e comunicação como ferramenta que expande a capacidade de trabalho intelectual
do homem, na educação, na saúde e no mundo dos negócios, e como constituidora
de novos ambientes de aprendizagem, trabalho e lazer. Criei, na UNICAMP, in
1983, the Núcleo de Informática Aplicada à Educação
(NIED), que dirigi até Abril de 1986. Ele existe até hoje. Fez 27 anos neste
ano de 2010.
De Abril de
1986 até o Abril de 1990 fui emprestado, pela UNICAMP, ao Governo do Estado de
São Paulo. De Abril 1986 até Março de 1987, fui Diretor do Centro de
Informações Educacionais (CIE) da Secretaria de Estado da Educação. De Março de
1987 até o fim de 1988 fui Diretor do Centro de Informações de Saúde (CIS) da
Secretaria de Estado da Saúde. Nessa posição travei contato com as pessoas que
ocupavam posição equivalente na World Health Organization (WHO), de
Genebra, Suíça, e na PanAmerican Health Organization
(PAHO), de Washington, DC, EUA, às quais prestei consultoria em várias ocasiões
desde 1988. Durante o ano de 1989 fui Diretor de Publicações da Secretaria de
Estado da Saúde. De 1987 a 1989 fui também membro do Conselho Estadual de
Informática (CONEI) do Estado de São Paulo.
No início de
1990 retornei à UNICAMP. Em 1992, através de autorização especial da Reitoria,
fiz parte do seleto grupo (liderado pelo Prof. Dr. Maurício Prates de
Campos Filho) que ajudou a criar o Curso de Pós-Graduação
Profissional (Mestrado) em Gerenciamento de Sistemas de Informação na Pontifícia Universidade
Católica de Campinas (PUCCAMP), também em Campinas, SP. Depois de estar o
programa em pleno funcionamento, com várias dissertações defendidas, e tendo se
esgotado o período para o qual minha colaboração havia sido autorizada, voltei
para a UNICAMP em tempo integral.
No início da
década de 80 tornei-me consultor da empresa People Computação, em Campinas, SP,
uma escola de informática. De 1990 até 1994 aquela companhia licenciou várias
franquias. No final de 1994, foi criada uma nova empresa, People Brasil
Informática, que passou, mediante contrato, a franquiar a marca, a gerenciar a
rede de franquias, e a dar suporte técnico e operacional a ela. Eu tornei-me
sócio, e, eventualmente, único proprietário dessa companhia. Em Março de 1998
as duas companhias terminaram seu relacionamento e as franquias voltaram à
companhia original.
Antes disso
criei, em Junho de 1997, a PBR Informática, uma companhia especializada em
tecnologia educacional que desenvolveu, durante três anos, materiais
instrucionais e de auto-aprendizado na área de informática para escolas e
outras instituições envolvidas no treinamento em informática e no uso de
ferramentas de informática na educação, e que, até hoje, presta assessoria a
escolas e consultoria a empresas, organizações não-governamentais e órgãos de governo
nas áreas em que a tecnologia interfaceia com a educação. Essa empresa atua no
mercado com a marca fantasia Mindware - EduTec.Net.
Em 1998
comecei a me tornar parceiro da área da Educação da Microsoft Brasil, parceria
essa que se estreitou através dos anos. A partir de 2003 me tornei, por
indicação da subsidiária brasileira, membro do Comitê Assessor Internacional do
Programa "Partners in Learning" da Corp -- isto é, na matriz da Microsoft,
em Redmond, WA, EUA, função que exerço até hoje. Em 2003 também me tornei
Coordenador do Comitê Assessor do Programa aqui no Brasil, função que exerci
enquanto durou o Comitê, que aqui no Brasil era chamado de Forum de Líderes
Educacionais. "Partners in Learning" veio a ser chamado
"Parceiros na Aprendizagem" aqui no Brasil. A parceria com a
Microsoft Brasil dura até hoje também, embora a natureza do serviço que
presto tenha se alterado. Essa parceria tem sido fonte de enorme aprendizado, de
múltiplos contatos extremamente interessantes, de um sem número de viagens
internacionais, e de grande satisfação profissional e pessoal. Através dela
tenho ido a Taiwan, para atuar como Keynote Speaker do Education and Technology
Forum, durante todos os anos, desde 2004 (tendo ido duas vezes em 2007). Tenho
grandes amigos dentro da Microsoft, dentre os quais destaco Márcia Teixeira,
Adriana Pettengill, Greg Butler, Vincent Quah, Emílio Munaro. Tive o privilégio
de conhecer ali a minha amiga Ana Teresa Ralston, hoje na Abril Educação.
Em 1999
comecei, por indicação da Microsoft, a prestar consultoria ao Programa
"Sua Escola a 2000 por Hora", do Instituto Ayrton Senna (IAS),
programa esse então totalmente financiado pela Microsoft. Meu trabalho se
concentrou, por um bom tempo, nesse programa, hoje rebatizado de "Escola
Conectada". Depois me envolvi também no Programa "Comunidade
Conectada", voltado para parceria com TeleCentros. Eventualmente fui
solicitado, em 2002, a elaborar um projeto de Cátedra UNESCO dentro do
Instituto, e desse projeto resultou a Cátedra UNESCO de Educação e
Desenvolvimento Humano no Instituto Ayrton Senna, que coordenei, desde sua
implantação, em 2003, até minha saída do Instituto, em Dezembro de 2006.
Trabalhar com essa nobre instituição me foi uma fonte de enorme prazer e
constante aprendizado. Tenho grandes amigos ali dentro. A mais chegada é
Adriana Martinelli Carvalho, que coordena a área de Educação e Tecnologia.
Kátia Ramos e Simone Menella também são grandes amigas. Viviane Senna é,
naturalmente, uma fonte constante de inspiração.
No final de
2006 me aposentei da UNICAMP, cessei minha consultoria ao Instituto Ayrton
Senna e assumi, a partir de Janeiro de 2007, o cargo de Secretário Adjunto de
Ensino Superior do Estado de São Paulo, a convite do Prof. Dr. José Aristodemo
Pinotti, que havia sido meu colega na UNICAMP desde 1974, que era na ocasião
Deputado Federal, e que acabava de ser escolhido pelo então Governador José
Serra para ser o Secretário. A passagem por essa secretaria, criada no governo Serra,
foi curta, para mim e para o Prof. Pinotti. Não ficamos ali mais de um
semestre.
Ao sair do
governo assumi, a convite do empresário Ricardo Semler, a Presidência do
Instituto Lumiar, em São Paulo. O Instituto Lumiar é responsável pelas Escolas
Lumiar. Fiquei nessa posição por dois anos. Vide o resultado do trabalho
realizado em http://escolainovadora.com, com a
inestimável colaboração de Paloma Epprecht e Machado.
Por falar na
Paloma, entro na esfera mais familiar da minha vida. Vivo com ela, em união
estável, desde 6 de Setembro de 2008, aqui na Chácara Klabin, em São Paulo.
Vamos nos casar assim que a Justiça (ou o bom senso) remover um último
obstáculo, que agora, como a nova legislação sobre o divórcio, está mais
próximo, esperamos, de ser removido. O obstáculo se aplica a mim, não a ela.
A Paloma, além
de mulher, é parceira no trabalho, pois atuamos, profissionalmente, exatamente
na mesma área. Foi assim que nos conhecemos, em 2004, no Congresso TecEduc@tion.
Trabalhamos juntos em projetos da Microsoft (Parceiros na Aprendizagem,
Aprender em Parceria), em 2005 e 2006. Em 2007, quando assumi a Presidência do
Instituto Lumiar, convidei-a a vir trabalhar como Coordenadora Pedagógica do
Instituto -- convite que ela pode aceitar apenas a partir de Janeiro de 2008,
posto que trabalhava na Secretaria da Educação do Município de São Bernardo do
Campo. Ficamos no Instituto Lumiar até quase o final do primeiro semestre de
2009 e fizemos um trabalho que reputo extremamente importante. Boa parte dele
está transcrito no site Escola Inovadora, mencionado atrás. Depois disso a
Paloma, como eu, passou a atuar como Consultora Independente no mercado, na
área de Educação (currículo, metodologia, avaliação) e Tecnologia. Já prestou
serviços de consultoria nessa área para a Microsoft, o Instituto Crescer para a
Cidadania, o Instituto Paramitas, e a Fundação Bradesco. Atualmente trabalha
(como Pessoa Jurídica/PJ) no CENPEC (Centro de Estudos e Pesquisas em Educação,
Cultura e Ação Comunitária) e é pesquisadora-bolsista do Programa Um Computador
por Aluno (UCA), junto à Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo
(USP). No CENPEC seu trabalho se concentra no Programa Aula Fundação
Telefónica, patrocinado pela Fundação Telefónica. Além do trabalho, a Paloma
cursa o Mestrado na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), na
área de Currículo, tendo o privilégio de ser orientanda do Prof. Dr. Fernando
José de Almeida.
A Paloma tem
duas filhas adolescentes lindas, a Bianca (1996) e a Priscilla (1998), que
moram, metade do tempo, conosco. Não gosto muito do termo
"enteado/a", porque considero como filhos aqueles a quem ajudo a
criar. Mas, para evitar confusão, vou usar o termo aqui. A Bianca e a Priscilla
são, portanto, minhas filhas/enteadas mais novas.
Filhos meus,
mesmo, tenho duas mulheres, de dois casamentos anteriores: Andrea (1973), de
meu primeiro casamento (ainda lá nos Estados Unidos, em 1967), e Patricia
(1975), de meu segundo (que aconteceu pouco tempo depois de eu retornar dos
Estados Unidos, em 1974).
De meu segundo
casamento tenho, também, dois filhos/enteados: Tatiana (1969) e Rodrigo (1971).
Ajudei-os a criar desde 1974, quando ainda eram pequeninos (o Rodrigo tinha 3 e
a Tatiana 5 anos, quando vieram morar comigo).
Netos já tive
sete (mas um deles, Guilherme, infelizmente, morreu uma semana depois de
nascer: teria feito sete anos no dia 9 de Setembro deste ano -- 2010).
Certamente conto como netos também os filhos dos filhos/enteados. São esses os
seus nomes e seus anos de nascimento Gabriel (1999), Olívia (2002), Guilherme
(2003), Gabriela (2004), Marcelo (2005), Madeline (2005) e Felipe (2006).
Gabriel é filho da Tatiana, Olivia e Madeline, da Andrea, Guilherme e Marcelo,
da Patrícia, e Gabriela e Felipe, do Rodrigo.
A Priscilla,
nascida em 1998, cursa atualmente o sétimo ano do Ensino Fundamental no Colégio
Lais, no Bairro do Ipiranga, em São Paulo – uma escola da Rede Positivo. A
escolha da escola não foi nossa – da Paloma e minha. Ela tem um cachorro
Yorkshire que mora conosco, o Chico, ou, oficialmente, Franz Axt Schlüssel.
A Bianca,
nascida em 1996, cursa atualmente o nono ano do Ensino Fundamental, também no
Colégio Lais. Está no processo de decidir se vai fazer Ensino Médio apenas ou
Ensino Médio e Escola Técnica (na área de Moda).
A Patrícia,
nascida em 1975, formou-se (em 1999) em Odontologia na Universidade São
Francisco (USF), em Bragança Paulista, SP, e é, hoje, Especialista na Área de
Periodontia. Exerce a odontologia em Campinas e Valinhos. Começou a fazer o
Mestrado na Faculdade de Medicina da UNICAMP, na área de moléstias sexualmente
transmissíveis, mas interrompeu o curso. Casou-se com Rubens Frota de Moraes
Salles, também dentista, Especialista em Ortodontia, no dia 22 de Março de
2003. Eles moram em Campinas, SP. O Marcelinho tem dois cachorros: a Flor e a
Flora.
A Andrea,
nascida em 1973, se formou em Marketing Internacional em Grove City College, em
Grove City, PA, EUA. Foi, por algum tempo, Consultora Financeira dos produtos
financeiros do American Express na região de Warren, OH, EUA., mas hoje apenas
administra a casa. Casou-se com Richard Jeffry Mathews, gerente de vendas e
marketing, no dia 3 de Julho de 1998. Eles vivem em Cortland, OH, EUA. Têm três
gatos.
O Rodrigo,
nascido em 1971, é engenheiro de computação pela UNICAMP (formado na primeira
turma, a de 1990). Trabalha como contratado PJ de uma empresa da área de
sistemas em São Paulo e Campinas. Em 2 de Setembro de 2000, casou-se com
Adriana Tavares, fisioterapeuta formada (em 1999) pela Universidade
Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Piracicaba, SP. Eles moram em Campinas, SP,
num sítio. Têm vários cachorros.
A Tatiana,
nascida em 1969, é engenheira civil, formada pela PUCCAMP, mas trabalha, hoje,
como funcionária pública no judiciário paulista, em Campinas. Ela se casou, em
1 de Fevereiro de 1997, com Alexandre Montgomery Wild, promotor público,
formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, em São
Paulo, SP. Eles também moram em Campinas. O Gabriel tem um cachorro, o
Jack.
Meus netos são
todos estudantes.
Meus pais são
falecidos: meu pai, o Rev. Oscar Chaves, em 5 de Março de 1991, minha mãe,
Edith de Campos Chaves, em 11 de Junho de 2008. Tenho um irmão e duas irmãs,
que moram, todos, em Santo André, SP: o Flávio (nascido em 1946), a Priscila
(nascida em 1957) e a Eliane, a caçula (nascida em 1959). O Flávio é casado com
a Inês e tem dois filhos: Flávio Júnior (Flavinho) e César. O César é casado
com a Juliana e eles têm um filho, chamado (também) Gabriel, que é o único neto
do Flávio e da Inês. A Eliane é casada com o João e eles também têm dois
filhos: Vítor e Diogo. Minha irmã Priscila é solteira.
Os pais da
Paloma, José de Oliveira Machado Neto e Ana Maria Epprecht Machado, estão vivos
e moram em Ubatuba, SP. Conheci o pai da Paloma no final da década de 50,
início da década de 60, na Igreja Presbiteriana do Parque das Nações, em Santo
André, que ele frequentava e da qual meu pai era pastor. Essa é uma das
coincidências de nossa vida. (Outras duas: dois tios dela eram amigos meus de
adolescência e juventude, na mesma igreja que o pai dela frequentava – e foi
meu pai que fez o casamento deles, muito tempo atrás).
A Paloma tem
dois irmãos: a Ana Patrícia, mais velha do que ela, e o Rafael, mais novo do
que ela. A Ana Patrícia mora em Guarulhos, é casada com o Fábio, e tem três
filhos: Aline, Éverton e Júlia. A Aline já é casada (com o Alexandre, apelidado
carinhosamente de Japa), e eles têm um encanto de filhinha, a Milena (a japinha
mais linda que eu conheço). O Rafael é casado com a Carolina (Carol) e mora em
São Paulo. Eles não têm filhos.
Pela
intermediação da Paloma estou gradualmente restabelecendo os laços com a igreja
e a religião. Estamos frequentando, desde que estamos juntos, a Catedral
Evangélica de São Paulo (também conhecida como Primeira Igreja Presbiteriana
Independente de São Paulo), na Rua Nestor Pestana, no Centro. Facilita muito
esse processo o fato de ter frequentado essa igreja no passado, ter ali vários
amigos, em especial o Rev. Elizeu Rodrigues Cremm e sua mulher, Marli, que
foram meus colegas no Instituto JMC nos idos de 1961-1963). O Elizeu é um dos
pastores da igreja. No ano que vem (2011) fará 50 anos que o Elizeu, a Marli e
eu somos amigos. Apesar do longo interlúdio fora da igreja, sinto-me totalmente
em casa na Catedral -- até porque ela mantém um hinário que contém todos os
meus hinos mais queridos (que minha amiga, também do JMC, a Maestrina Dorothéa
Machado Kerr, filha de meu ex-professor, Rev. Joaquim Machado, gravou com o
Coral Evangélico de São Paulo, em inúmeros CDs).
Continuo a ter
muitas dúvidas em teologia e para a maioria das questões da religião não
encontrei respostas convincentes ou totalmente convincentes. Mas voltei a achar
as questões fascinantes, como um dia as achei. Foi por isso que me voltei para
o estudo da Teologia. Os problemas com a instituição eclesiástica acabaram por
me levar a afastar essas questões de meu foco de interesse por muito tempo.
Felizmente, estou, aos poucos, com o apoio e o incentivo da Paloma, fazendo as
pazes com o meu passado.
Informações
sobre minhas publicações,
sobre meus projetos profissionais,
sobre os cursos
que costumava ministrar, sobre meus interesses pessoais, bem
como sobre como me contatar,
podem ser encontradas em diferentes locais do meu site http://chaves.com.br,
que é o meu Portal.
Além do meu
Portal, mantenho um blog, que me é muito importante. Vide http://ec.spaces.live.com,
espelhado em http://myblogs.net.
Detalhes sobre
a vida da gente normalmente só interessam a gente mesmo. Se, a despeito disso,
você chegou até o fim desta longa página, receba meus parabéns pela paciência.
Poucos são os que chegam até aqui.
[Revisto em 14
de Setembro de 2010]