Meus Vinte Anos: Meu
ano de 1963 (Escrito 35 Anos Depois)
Eduardo Chaves
Faz 35 anos,
este ano
(1998), que terminei meu Curso Clássico no JMC. Meia
vida de alguns,
mais do que
isso de muitos.
O terceiro
ano do Curso
Clássico era
a “glória” para
o aluno do JMC.
Ele
finalmente era
formando, pré-seminarista. Tinha o privilégio de morar no QG, em quarto individual, num prédio
onde o banheiro
possuía chuveiro
com
água quente.
Isso era
mordomia pura
naquelas bandas. A
gente
olhava os outros
com
ar superior
e usava o fato de ser
formando para impressionar
as calouras. Como ultimoanistas podíamos
também dirigir
o culto na Casa
das Moças, à noite, o que fiz algumas vezes.
Esse, então,
era um
privilégio e
tanto.
Academicamente, meu ano de 1963
foi relativamente
tranqüilo. Tive meu
primeiro
curso de
Filosofia
(ênfase em
Lógica), com
o Rev. João Euclydes Pereira, o Zoca. Foi
o curso de que
mais gostei em
toda a minha
estada no JMC –
tanto
que, quando
deixei a Teologia, foi
para
a Filosofia que
me voltei. Comparado com o curso de História que o
Rev. João Euclydes dava (que eu achava relativamente
chato e monótono),
o curso de Lógica,
com os silogismos,
os quebra-cabeças
lógicos, e os processos
mnemônicos
para que nos lembrássemos de quais
formas silogísticas eram válidas, era, para mim, excitação intelectual da melhor
espécie.
Deslanchei bem
no Inglês, em
grande parte
por ter namorado, durante
boa parte do ano,
Natalie Landes Browne, neta do rev.
Felipe (Philippe) Landes, que, embora nascida na China, era filha de americanos e, portanto,
falava Inglês como
nativa. Por
incentivo da Natalie e do Deoclécio Silveira do Amaral (o melhor
falador de Inglês
sem ascendência
americana que
havia na escola), passei a freqüentar as sessões
do English Club, que se reunia todas as
quartas-feiras, sob o comando de Da. Jean Pemberton.
Ainda
por incentivo
da Natalie, comecei a ter
aulas
particulares de Inglês
com Da. Margarida
(Margareth, presumo) Landes, avó dela, esposa
do rev. Philippe Landes. Dona Margarida me
fazia ler artigos
e artigos da Selections of the Readers’
Digest. Meu
conhecimento
de gramática melhorou muito
nessas aulas.
Bilhetes
com a Natalie trocava-os diariamente, e ela, nas respostas
aos meus, tinha
a paciência de corrigir
meus erros
de Inglês. O namoro foi feliz, tranqüilo, sem sobressaltos.
Terminou de forma
infelizmente
deselegante, por
culpa
minha. Sempre
fui razoavelmente hábil
para
começar relacionamentos
afetivos
(modéstia à parte),
mas extremamente
inábil para
encerrá-los, verdade seja
dita. Fiz uma série de
papelões
em minha
vida, nessa área.
Em
termos de viagens individuais,
comecei o ano na
Igreja
de Passos, MG, da
qual
era membro
meu colega
João Batista de
Oliveira. Passei as férias
de Dezembro
de 1962 lá. No
dia
31 de dezembro de 1962 dirigi o Culto de Vigília
em São
João Batista do
Glória,
cidade próxima
de Passos, e que
era então
conhecida como
a “capital
nacional
do barbeiro” (o inseto
causador da doença
de Chagas). No
dia
1 de Janeiro de 1963 voltei para Passos e fui ao cinema à tarde
e à noite, com
a Elda, menina loira, de
excelente
família passense,
que
acabou se casando com um colega meu do Seminário
(de cujo nome
infelizmente não
consigo me
lembrar, por
mais que
me esforce). À
tarde
assistimos “Tarzan e a Mulher do Diabo”, e à noite “Circo dos Horrores”
(eu registrava essas coisas na minha
agenda). No dia 2 de janeiro
preguei meu
sermão
de despedida lá.
Nunca mais
vi a Elda, com
quem
me correspondi
por
uns tempos – até
que, mais
para o meio
do ano, comecei a
namorar
a Natalie.
No sábado,
dia 5 de janeiro,
parti para Pirapozinho, SP,
cidade
perto de
Presidente
Prudente, onde
iria trabalhar durante
o mês de Janeiro,
na Igreja
Presbiteriana
Independente. O ônibus
saiu de São Paulo às 7:30 e chegou a Presidente Prudente
às 18:15 – quase onze horas de viagem.
Peguei imediatamente um ônibus
para
Pirapozinho, onde cheguei às 19:30, para ficar hospedado numa Casa Pastoral vazia. Depois
de uns dias o Jonas Christensen, amigo e ex-“velha”
(moramos juntos
em
1962) chegou para me
ajudar com
o trabalho com
o coral e com
o canto congregacional. Lá, surpreendentemente,
não me
interessei por
ninguém,
em particular.
Enquanto
estava em Pirapozinho viajei
por Tarabay, Narandiba, Coronel Goulart, Mirante do
Paranapanema, Dumontina, Regente Feijó, Presidente Wenceslau,
Presidente
Epitácio e Presidente Prudente. Preguei em
todas essas cidades e fiz dezenas de visitas.
No final do mês
voltei para São
Paulo de trem (trem
leito, o famoso
Expresso Ouro
Verde, que
tantas vezes,
quando
criança, havia tomado
para
vir do Paraná
para São
Paulo: a gente o tomava, em baldeação, em
Ourinhos).
No início
de Fevereiro fui para
o Acampamento “Palavra
da Vida”, onde
trabalhei durante uma semana, como freqüentemente o fazia nas
férias.
Não me
lembro exatamente
qual
era minha
função lá. Depois disso passei uns dias em Campinas e, durante
o Carnaval, fui a
um
retiro espiritual
em Americana.
As aulas
começaram apenas no
dia
5 de março,
terça-feira.
Não havia aulas
no JMC às segundas-feiras. Os pré-seminaristas, por
trabalharem demais no fim de semana,
tinham, como
muitos
barbeiros ainda
hoje têm, a
segunda-feira
de folga…
Logo
no início do ano fui eleito presidente
do Grêmio Miguel
Torres, o grêmio “sério”,
de cunho mais
religioso e menos
cultural e artístico. Acho que a Renée Myriam de Camargo (irmã da Reacy e, portanto, minha
ex-quase-futura cunhada), a Alzira Val e
o Robert (“Bob”) Lodwick também eram da Diretoria. Este
foi meu primeiro
cargo eletivo
– e um dos poucos
que exerci ao
longo
de minha vida.
Depois dele, se bem
me lembro, só
fui eleito Secretário do Centro Acadêmico
“Oito de Setembro”
(CAOS), do
Seminário
Presbiteriano de
Campinas,
em 1966, e (de
certa
forma) Diretor
da Faculdade de Educação
da UNICAMP, em 1980.
Começando em
Março, e durante
o ano inteiro
(exceto nas férias),
trabalhei, aos domingos, na Congregação Presbiteriana
de Utinga, que pertencia à Igreja Presbiteriana
de Santo André, da
qual
era membro.
Os líderes lá
eram o Benedito dos Santos e o João
Rodrigues, em
cuja
casa a Congregação
se reunia. Lá, pelas mãos do Benedito, pela
primeira vez
dirigi um automóvel,
sem nenhum
preparo anterior
– só não
dando uma batida no
barranco
com o Fordeco dele
porque
ele foi rápido
para tomar o volante. Boa gente
aquela.
No dia
19 de março comecei a
usar
lentes de contato.
Fiquei todo
vaidoso
com elas,
pois me
permitiram
abandonar os incômodos
óculos de lentes
escuras que precisava
usar,
que me
valeram o desagradável apelido de “Cegão”
(que convivia com o apelido
de “Juca”, com o
qual
o Eliseu até hoje
me honra,
em homenagem
ao Juca Chaves). Usei lentes de contato
até 1970, quando
as troquei por
óculos
de lentes acrílicas, nos Estados
Unidos, que podiam
receber
um colorido bem
mais suave do
que as pesadas
lentes de vidro
que usei até
Março de 1963.
No mês
de abril, de 19 a 21, fizemos (os homens do terceiro
clássico) uma
viagem
à Praia Grande.
Fomos todos na
perua
do JMC, dirigida pelo rev. Olson Pemberton, e ficamos
hospedados na chamada Casa da Missão.
A Praia Grande,
naquela época, era
deserta na região
em que
se situava a casa,
que
ficava tão perto
da água que,
durante a maré
cheia, os muros
eram banhados pelas
ondas.
Lá, nós
mesmos cozinhamos –
era
macarrão todos
os dias. Creio
que
nunca me
diverti tanto numa
praia, jogando futebol e
pulando ondas, o que
fazia pela
primeira
vez. Lembro-me de
como
o Octávio Stradioto, pequenino e franzino, era
arrastado pelas ondas e literalmente jogado na praia…
Ficamos lá três
dias (duas noites).
O problema era
dormir à noite.
Tinhamos sacos de
dormir,
colchonetes, etc.,
mas
poucos
travesseiros. Uma noite
eu
tentava dormia num saco de dormir, sem travesseiro, e, ao meu
lado, o Gordurinha (Assir Pereira) roncava, dormindo, de
costas, o sono do
justo.
Com muito
cuidado, levantei
levemente
a cabeça dele, tirei o travesseiro, e baixei a cabeça
dele, bem de leve.
Ele não
acordou. Com o
travesseiro,
finalmente consegui
dormir
até que
o travesseiro foi
violentamente
puxado de debaixo
de minha cabeça.
A sensação foi de
que
a minha cabeça
subiu uns dez
centímetros
antes de cair
e bater no chão...
Um dia
fomos a Santos, visitar
o aquário. O Gordurinha, mais uma vez,
deu o show. Ele
gostava de virar umas
piruetas
(que ele
chamava de “piruletas”), e alguém o
desafiou a fazê-lo no meio da avenida na Praia
do Gonzaga. Não é
que
ele fez? Foi para
o meio da rua,
parou o trânsito (então
pequeno), e deu
sua
pirueta – gritando “Zeferina…” (não sei porque ele gritava isso
– talvez ele
possa elucidar).
Em
Junho, creio, comecei a namorar a
Natalie. Lembro-me da época
porque no dia
7 de junho, dia
do aniversário dela, já registrei o fato
em minha
agenda, algo que não teria feito se a gente
não estivesse já
namorando. O início do
namoro
talvez tenha sido
um
pouco antes,
não sei por
certo. Na minha
cabeça fica o mês
de junho porque
foi nesse mês que
parei de escrever para a
Elda, de Passos… (Eu
tive muitas namoradas, mas sempre procurei terminar um namoro antes de começar o outro – ou quase). Nunca
fui bom mentiroso
– e, por isso,
nunca consegui namorar
duas ao mesmo
tempo.
Gostar de duas ao mesmo
tempo, mas
de formas
diferentes,
já me
ocorreu mais de uma
vez,
mas namorar é
algo prático,
que envolve
aspectos
logísticos que
nunca
consegui gerenciar
suficientemente
bem para
manter
dois namoros simultâneos. Havia colegas
no JMC, entretanto,
que
eram mestres nisso: o Mário Fava que o diga,
que andou dando em cima da
Margareth, irmã da Natalie, pelo que consta até com certo sucesso, até que ela
descobriu umas certas cartas que ele recebia do interior…
Com
um grupo de formandos do I e do II
Ciclos
viajei para São
João da Boa Vista,
nos
dias 22-24 de
Junho. Numa festinha da mocidade,
na noite do sábado,
dia 22, depois
do jogo de
futebol
de salão da tarde,
lembro-me de ter cantado uma
modinha
caipira que
foi popularizada por Cascatinha e Inhana,
que tinha
uma letra mais
ou menos
assim assim
(faltam uns pedacinhos, por mais que tenha
vasculhado a memória): “Eu
vim de longe, tão
cansado, pra
te vê,
eu vim cantando para
as máguas desfazer. Da
minha
choça despedi no
amanhecer, e ‘tou chegando vendo a lua
aparecer.
Mas foi prazer
pra mim
todo esse
padecer: ‘tava
pensando nos olhinhos de
você! Ai, que
beleza,
que beleza de
morena, delicada
e perfurmada como a
flor!
Tinha a boca
tão pequena,
bem pequena, toda feita de beijinhos para o amor! Você se lembra, foi na noite
de São João, nós
dois juntinhos “se assentemo” num moirão. Você pegou devagarinho a minha
mão -- quanta
saudade me
ficou no coração! Ai, quanta saudade me ficou no coração
daquele amor
feito
de sonho e de
ilusão! Na despedida
você
disse no portão: Faz uma casa pra nós dois lá no sertão.
Ai, que beleza,
que beleza de
morena, delicada
e perfurmada como a
flor!
Tinha a boca
tão pequena,
bem pequena, toda feita de beijinhos para o amor!”
Também
declamei, na festinha, a poesia “Gesto Heróico”,
de Mário Barreto França, que sei de cor até hoje, apesar
dos quase dez
minutos que
levo para declamá-la inteira.
Em
São João da Boa Vista fiquei hospedado na casa
do dono da empresa
de ônibus que
fazia o trajeto
São
João da Boa Vista-São Paulo, que era da igreja. Isso não só nos ajudou quando da viagem
ao Sul (vide adiante), mas também me valeu
um passe
entre São
João da Boa Vista e
São
Paulo durante
toda
a minha estada
no Seminário de
Campinas.
Em gratidão,
voltei várias vezes à igreja de São
João da Boa Vista
durante
meus anos
de Seminário.
No mês
de Julho de 1963 trabalhei na Igreja Presbiteriana
Independente de Iepê, SP. De
lá
visitei as igrejas de Rancharia, Assis e
Centenário, no
Paraná.
Em Iepê conheci a Selma, que, na ocasião,
namorava um
colega
meu (acho que
o Flávio “Cebolinha”). Em trabalhos subseqüentes em
Iepê, mais de dois
anos depois,
quando já
estava no Seminário, comecei a namorar a Selma. O namoro durou quase um ano. A Selma é a única
ex-namorada significativa da
minha
juventude com
quem não
consegui restabelecer alguma forma
de contato, agora,
nos “anos
maduros”. Consta
que
ela trabalhou com
a APEOESP, lá na
regional
de Rancharia, Assis ou Presidente Prudente,
não sei.
Voltei mais
uma vez em
1963 à Casa da
Missão
na Praia Grande,
no segundo
semestre,
mas agora
num piquenique da Igreja
da Bela Vista,
freqüentada pela
família
da Natalie (que morava na Casa da Missão em São Paulo, na
Alameda Campinas). A
Margareth, irmã mais velha da Natalie, que
hoje atende pelo
nome de Greta,
e a Libby, irmã mais nova, que hoje atende por
Bete, também estavam lá. Não me lembro se o Paul,
o mais novo
dos dois irmãos
dela (o outro era
o George), também estava lá.
No final
do ano, antes
da formatura, os formandos dos dois ciclos fizeram
uma viagem ao Sul.
Se bem me lembro a viagem
durou uns vinte e cinco dias, durante o
mês de Novembro,
e foi razoavelmente bem planejada. O
ônibus
era da Viação
São João da Boa
Vista
– São Paulo, cujo
dono, já
mencionado, nos fez
um
bom preço.
Como disse, eu
havia ficado hospedado na casa dele em Junho.
Ficamos com um
ônibus moderno
por nossa
conta durante
quase um
mês, dirigido por
um simpático
motorista, também
chamado Eduardo. Ajuntamos dinheiro durante o ano inteiro para a viagem. Mesmo assim o dinheiro deu apenas para o ônibus e
para
algumas refeições.
Por
isso, antes
da viagem escrevemos às igrejas de Curitiba, Joinville, Florianópolis, Porto Alegre, e Lages, propondo que, em troca de hospedagem,
fizéssemos um
culto
para jovens
na igreja, em
que cantaríamos, organizaríamos as
tradicionais brincadeiras de salão depois do
culto, etc. Na
maior
parte dos casos,
deu tudo certo.
Em algumas
cidades,
porém, não
conseguimos acertar nada.
Porque passamos
um
dia na praia
de Camboriú, então
totalmente
deserta, precisamos
dormir
em Tubarão,
as moças num hotel e nós rapazes dentro do ônibus, porque o dinheiro não dava para pagar hotel para todos!
Em
Florianópolis, lembro-me como
se fosse hoje, estávamos na praia, no fim
da tarde de 22 de
Novembro,
quando alguém,
com um
rádio de pilha,
ouviu a notícia de
que
John Kennedy havia sido assassinado. Ficamos todos
chocados. Por que
é que quase
todo mundo
adulto naquela época
lembra-se com
precisão
de onde estava
quando
Jack Kennedy morreu?
Na viagem,
tínhamos um
octeto, do qual
eu
era regente.
Nele cantavam a Sueli, a Renée, a Nivalda, acho que
o Carmelino, o Paulo, o Octávio, não me lembro quem mais. Cantávamos em
todas as igrejas.
Em
Porto Alegre cantamos na rádio, e, justo
neste dia, demos
vexame. Começamos desafinados e tivemos que recomeçar. Até hoje, quando me
lembro, fico com
raiva.
Na volta,
em Lages, igreja
do Octávio, fomos extremamente bem recebidos. Não me esqueço dos cafés
da manhã exageradamente fartos, parecendo os Cafés
Coloniais que
hoje
são atrações
turísticas em
Gramado.
Foi durante
essa viagem que
comecei a namorar a Sueli,
hoje
Secretária de
nossa
Associação (sem
antes ter
terminado com a Natalie – donde a
deselegância mencionada). Tivemos um namoro relativamente longo (para os meus parâmetros)
e razoavelmente sério, em termos de convivência com a família, viagens
a Santos (sempre
com a família),
etc. Quando o namoro
já tinha
mais de um
ano e meio,
e eu estava no
Seminário
em Campinas,
deu-me o famoso medo
que assola
aqueles
cujo namoro
fica sério demais
e que não
se sentem preparados
para
o que deve vir
depois. Sumi. Contrange-me relatar esses atos de, no mínimo, enorme deselegância e covardia
pessoal. A
amizade
que tenho com
a Sueli hoje
talvez
seja indicativa do
fato
de que ela
tenha me perdoado –
embora
nunca tenhamos
claramente
tocado no assunto. Agradeço enormemente a ela
por conviver
comigo, tantos
anos depois,
sem jamais
ter trazido o assunto
do meu súbito
desaparecimento à
baila.
Já pensei em
tentar explicar algumas
vezes, mas
não creio que
consiga. O que
de certo modo
não consigo
fazer pessoalmente,
acabo fazendo em
público. Escrever sempre me foi mais fácil do que falar, não sei porquê.
No final
de Novembro houve a
formatura
(sobre a qual
falarei mais,
adiante).
Em
Dezembro, já depois de
terminadas as aulas, vários dos agora
formados fomos, em
ônibus
de carreira (“Expresso
Real”), até
Brasília. Agora
já
namorava oficialmente a Sueli. Em Brasília cantamos na Igreja
Presbiteriana
Nacional, assistimos a um
concerto
de Paulo Fortes no
Hotel
Nacional, fui entrevistado (na qualidade de regente
do octeto) pela
Rádio Ministério
da Educação, e,
naturalmente, ficamos conhecendo a recém-inaugurada
capital
do país. Paulo
Fortes
era (é ainda?)
crente. Fiquei impressionado com a ressonante
voz do locutor
da Rádio MEC.
Minha
voz pareceu tão
inadequada perto da dele! Ainda guardo um
envelope da “Igreja
Presbiteriana
Nacional”, de Brasília, com
o endereço:
Avenida W-3,
Quadra
10, Lote 2, Caixa
Postal 686, Brasília, DF. Ainda não havia
CEP naquela época. Brasília
não
tinha nem
dois anos.
Voltemos, agora,
à festa de
formatura
e assuntos relacionados. Meu Certificado
de Conclusão dizia:
Instituto
“José Manuel da Conceição” -- Seminário
Menor
Estabelecimento
de Grau Médio a serviço
das Igrejas Evangélicas do Brasil
Jandira, Estado
de São Paulo
Certificado
de Conclusão do II
Grau
Certificamos que
Eduardo Oscar de Campos
Chaves, filho
de Oscar Chaves e de Edith de Campos Chaves, natural de Lucélia, Estado
de São Paulo, nascido em 7 de Setembro
de 1943, tendo em
vista
os resultados das
provas
prestadas no ano
letivo
de 1963 no terceiro
ano
do II Grau, é considerado habilitado no Segundo Ciclo Secundário, nos
termos do
Decreto-lei
nº 34.330, de 21 de outubro de 1953.
Jandira, 30 de
novembro
de 1963
Rubem Alberto de Souza,
Diretor
João Euclydes de Souza,
Autoridade Eclesiástica
Parece que
em premonição
dos problemas que
estavam por vir,
requeri três
cópias
do Certificado de
Conclusão
e do Histórico
Escolas.
Ainda as tenho todas.
O nosso
convite de formatura
dizia:
Convite
de Formatura
de 1963
Instituto
JMC, São Paulo - 1960 - Formandos
Homenagens:
Diretor
·
Rev. Ruben Alberto de Souza
Vice-Diretor
·
Rev. Joaquim Machado
·
Profa. Maria Block Cruz
Homenagem
dos formandos da 4ª série
de 1963
A Congregação e os Formandos do
Instituto
"José Manuel da Conceição" têm a subida
honra de convidar
V. Excia. e Exma. Família
para
assistirem às solenidades de formatura das turmas
de 1963 a se realizarem no dia 30 de novembro às 20 horas,
no Auditório Dr. Waddell, situado em Jandira, E.F.S. - São
Paulo, e para o Culto
de Ação de Graças
a se realizar no dia
30 às 15 horas.
A Comissão
Paraninfo
·
Dr. Camilo Ashcar
Orador
Sacro
·
Rev. Adauto Araújo Dourado.
Orador
·
Eduardo Oscar Chaves
Formandos do II
Ciclo
·
Airton
Neves Ormond
·
Assir
Pereira
·
Celso Martins
·
Cilas Gonçalves
·
Deoclécio
Silveira do Amaral
·
Eduardo Oscar de Campos
Chaves
·
Hamilton Felix de Souza
·
Hélio de Castro e Souza
·
Ireno
Dias Ribeiro
·
Maria
Helena Pires
·
Natanael Florenço do Amaral
·
Octávio Stradioto
·
Otoniel
Marinho de Oliveira
·
Robert Nicholas Lodwick
Formandos do I
Ciclo
·
Benedito Barbosa de Souza
·
Carmelino Souza e Silva
·
Eunice Rodrigues de Sá
·
Getúlio
Rosa da Guia
·
Hilze Schneider
·
Irma
Chaves Eguez
·
Isauro
Batista Carriel
·
João Rhonaldo de Andrade
·
Judith
Augusta dos
Santos
·
Lindolfo Teixeira
·
Maria Altina Felix da Silva
·
Mário de Oliveira Mello
·
Nivalda Barbosa Franco
·
Paulo Cosiuc
·
Renée Myriam de Camargo
·
Ronan
Pereira da Silva
·
Rubens Faria
·
Sueli Barbosa Cavalcanti
·
Vera Lúcia Felício
Papa
·
Vera Lúcia Monteiro
Saldanha
Agradecimentos:
·
A Deus
·
Aos
nossos Pais
·
Às nossas Igrejas
·
Aos
nossos
Presbitérios
·
Às
Missões Nacionais
e Estrangeiras
·
E aos nossos
queridos
Professores
Fui orador
da turma. Meu
discurso de
formatura,
longo, está
disponível
no site do JMC na
Internet
(www.jmc.org.br).
No festa
de formatura vi
pela
última vez
a Reacy, minha
primeira
grande paixão
no JMC – no ano de 1961, meu primeiro ano lá. Mas essa é outra
história…
E com
isso, chego ao
final
de 1963, meu último
ano no JMC, trinta e cinco anos atrás. “It was a very good year”,
como
diz a canção do Sinatra. Sinto saudades daquele tempo,
das coisas sentia naquela
época. Sinto inveja do
eu
que eu
era em
1963, com a vida
inteira pela
frente. No plano
político, foi um
ano difícil
para o Brasil – o ano
em que
João Goulart teve a sua chance. No JMC eu
não tinha
grande
consciência
política. Conseguia ser
feliz sem me preocupar muito com o que estava acontecendo fora
do meu mundinho. Pensar
que estive em
Brasília exatamente
quatro
meses e meio
antes
do Golpe de 31 de
Março. Naquela época
não
tinha idéia
do que estava por
vir. As únicas coisas
que me
ficam na memória daquela viagem são
Paulo Fortes, no
Hotel
Nacional, a entrevista
com a Rádio
do MEC, a nova
Igreja
Presbiteriana
Nacional, a viagem de
ônibus… O ano de 1963 foi,
para
mim, o último
ano de minha
Idade da
Inocência.
Eduardo O C Chaves
Campinas,
Novembro de 1998